
As costas da garota na parede fria se fosse em outras circustâncias até poderiam ser desconfortáveis, mas naquele momento era até que conveniente para a garota. A cada mordida e chupão que recebia do garoto, onde ficava as pequenas e grandes marcas na pele da garota ela se arrepiava contínuamente. A ultima coisa com que a garota se importava era com as marcas em suas coxas, para ela aquilo era o de menos, o que importava era sentir a boca do garoto na dela novamente e assim que o beijo prosseguiu, mais intenso do que antes ela pode aproveitar bem e com o braço entrelaçado no pescoço do garoto pode arranhar a nuca do menino e puxar o cabelo dele de leve apenas para provoca-lo. Sentindo a provocação do garoto ela gostaria de retribuir mas a posição que estava não dava a ela muitas oportunidades para fazer isso. Então fazendo o que podia, ela mordia e puxava os lábios do garoto que a cada segundo se tornavam mais vermelhos. Colando cada vez mais os corpos ela podia sentir cada centimetro do corpo do garoto, e que corpo.
Aquele não era o lugar ideal para uma cena como aquelas, mas não era como se Mulciber não tivesse feito coisa pior em lugares mais inusitados então o rapaz simplesmente não se importou muito. Era como alguém costumava dizer a ele “podia ser um cara extremamente calculista, mas quando a cabeça de baixo assumia, a de cima perdia noções básicas de cautela”. E talvez fosse mesmo verdade, até certo ponto pelo menos. Passou a língua entre os lábios de Rebecca e fitou-a por um momento, um sorriso malicioso estampado em seu rosto sem que ele nem mesmo se desse conta de quando ele tinha se formado. Deu uma rápida olhada ao redor do Salão Comunal para se certificar de que não havia ninguém mesmo por lá, mesmo que há pucos minutos estivessem estado sozinhos, todo cuidado era pouco. Era tarde, então teoricamente as chances de serem pegos por lá era menor. Teoricamente, já que Mulciber sabia que os colegas não eram particularmente chegados às regras. No entanto ignorou esse pensamento e desencostou Rebecca da parede, as duas mãos firmes nas coxas dela enquanto a carregava ainda em seu colo até um dos sofás mais próximos. Largou a garota no sofá sem muita sutileza e se inclinou na direção dela, dobrando um dos joelhos sobre o sofá e apoiando uma mão em seu encosto. Mas dessa vez seus lábios não procuraram a boca da morena, foram diretamente para o pescoço enquanto sua mão subia pela perna dela lentamente por debaixo da saia.
Na maioria das manhãs, diferente dos demais rapazes de dezessete anos, Mathew Avery tinha preferência por acordar antes dos demais, evitando o alvoroço matinal desnecessário que se tornava o dormitório masculino antes das aulas. Geralmente era um dos últimos a dormir, pois aproveitava o breu das masmorras para ler livros, daqueles que nem se encontraria na sessão restrita da biblioteca, no entanto o garoto conseguira contrabandeá-los em falsas capas para o interior do castelo.
Os olhos se abriram vislumbrando o travesseiro amassado, o ritual matinal como de costume se iniciara sem o entusiasmo que sempre lhe faltava nessas horas. Jogou o livro dentro da mochila antes de deixar o dormitório, ainda cheio, com a gravata verde e prateada da slytherin afrouxada, se deparando com um Salão comunal vazio, o garoto pegou um exemplar d’O profeta diário do dia anterior que relatava o ataque á sangues-ruins. Era óbvio do que se tratava, e o jovem não conseguira esconder o risinho sarcástico de praxe que os lábios desenharam. Não tardara a jogar o mesmo dentro da lareira que ainda crepitava fracamente, ao virar e se deparando com o figura de Dylan Mulciber parado á alguns metros do rapaz. Das pessoas com quem convivia, na exceção de Mika que conhecera desde antes de aprender a falar, Mulciber era um daqueles que pudera estabelecer uma relação de interesses comum, dessa maneira talvez o slytherin era o mais próximo que Matthew tivera de um amigo, aliado e companheiro da causa, afinal compartilhavam a mesma opinião sobre nascidos trouxas e ambos tinham o sangue-puro e lutariam do mesmo lado. Sem contar que Mulciber, no conceito de Mathew era uma pessoa divertida, talvez no decorrer de todos esses anos se estabeleceu uma relação de parceria e interesse mútuo. - Mulciber! - Respondeu com um aceno, retirando as mãos do bolso para pegar o maço de cigarros que o garoto lhe atirara. - Binns? - Fez uma careta, preferia estudar história da magia sozinho do que perder tempo numa aula dupla com um monte de sangue-ruins que não deveriam está ocupando aquelas cadeiras tão velhas quanto o fantasma que lecionava para a turma. - Temos algo melhor para essa manhã? - O conceito de algo melhor era relativo a cada situação, nesse caso qualquer coisa era algo melhor que uma aula do fantasma velho. Talvez pensar em burlar o sistema de segurança, ou encontrar algum sangue-ruim aleatório e acerta-lhe uma maldição antes que esse pudesse sequer cogitar correr, mas tudo exigia cautela porque os aurores resolveram se meter no cotidiano da escola. Guardou o cigarro para depois do desjejum no bolso direito, isso significava que estava de fato interessado em faltar aula, agora cabia a ele e o garoto resolver o que fariam. Virou-se com a intenção de ir para o Salão principal, esperando que Mulciber o acompanhasse antes que começasse a encher de vez como toda manhã.
- Vejamos o leque de opções…qualquer outra coisa? - Respondeu, em tom zombeteiro, no encalço de Avery enquanto os dois rapazes deixavam o Salão Comunal e não muito depois, as masmorras, a caminho do Salão Principal para um rápido café da manhã. - Estar morto não é desculpa pra uma porra de aula tão inútil. - Comentou, devolvendo o cigarro ao bolso para mais tarde - já que aquele era seu último era melhor guardá-lo para quando tivesse mais tempo disponível para aproveitá-lo e sabia que não poderia fazê-lo durante o café da manhã sob o olhar dos professores. Levaram o tempo habitual das masmorras até o Salão Principal, que estava parcialmente vazio devido a hora, afinal, era cedo e grande parte de seus colegas não tinham o hábito de acordar muito antes da hora das aulas. Ironicamente, Mulciber, que sempre se levantava antes da maioria, não se importava nem um pouco com o horário das aulas. Sentou-se displicentemente à mesa da Slytherin e soltou um bocejo, sentindo o sono que lhe faltara durante toda a noite finalmente começar a invadi-lo. Merda. Era sempre assim. Serviu-se de café e um pedaço de pão puro e estava prestes a levá-lo a boca, quando levantou o olhar para o colega de casa. - E sua prima, como vai? - A pergunta tinha um quê de provocação, dado todo o histórico de apostas e bem…diversas outras coisas que tinha com Mika, mas não era uma provocação ferina - não exatamente - e sim o tipo de provocação que fazia com sua irmã e outras poucas pessoas mais próximas. Mas a antecipação à resposta de Avery se dissolveu assim que outra coisa capturou sua atenção: dois dos tais aurores postados ao lado da mesa dos professores passando os olhos pelas poucas almas vivas - e mortas, se contar com a presença dos fantasmas, entrando e saindo - presentes no Salão. Ele já havia reparado antes mas não pôde deixar de notar novamente que eles pareciam não gostar de estarem ali tanto quanto Mulciber não gostava de tê-los por perto.
Durante o beijo, sentia as mãos do garoto percorrendo o corpo da garota, e a cada lugar que os dedos do garoto tocava a menina se arrepiava. Quando o garoto alcançou sua coxa e a apertou com força, tudo o que ela pode fazer foi soltar um grunhido de aprovação que veio do fundo da garganta da garota. Na pausa do beijo para poderem respirarem ela sentiu os beijos do garoto em seu pescoço a fez arrepiar ainda mais, aquele era o ponto fraco da menina, e por mais que o garoto não soubesse disso não levaria muito tempo para descobrir. Quando sentiu a parede em suas costas, ela instintivamente colocou as pernas em volta do garoto ficando no colo do mesmo.
Em um impulso, Mulciber empurrou o quadril contra o de Rebecca assim que as pernas da garota envolveram sua cintura, pressionando-a ainda mais contra a parede enquanto sua boca ainda explorava o pescoço dela entre mordidas e chupões. Manteve as duas mãos nas coxas da morena, fincando as pontas dos dedos com força até criar marcas esbranquiçadas em sua pele, enquanto subia os beijo com certa urgência até encontrar a boca dela outra vez em um beijo ainda mais intenso do que o primeiro. Deixou uma das mãos subir quase instintivamente pela lateral do corpo dela e parou pouco antes do seio apenas para provocá-la. Sorriu de lado entre o beijo, mordendo o lábio inferior de Rebecca e voltou a pressionar-se contra ela, colando ainda mais seus corpos.
Libby ficou um pouco fora de órbita enquanto processava a notícia. Então eles estavam mesmo começando com a história do casamento, pensou um pouco atordoada, voltou a focar-se no irmão e estreitou um pouco os olhos sentindo pena dele já que todo o transtorno de um casamento havia atingido sua mente como uma bomba relógio. – Se fudeu.- Foi o que ela conseguiu dizer no momento, um pouco antes de ouvir o nome da individua que entraria na família. Libby não sabia se sentia pena da garota ou se permitia-se ficar relativamente empolgada com a idéia de ter uma “irmã mais velha” para se distrair. – Charlotte Gray? É, acho que sei quem é ela. – Libby respirou um pouco e olhou em volta tentando encontrar algo que a fizesse acreditar que em alguns minutos ela acordaria e nada daquilo fosse verdade. Afinal, se os pais já haviam arrumado um casamento para o irmão, com certeza o dela estaria próximo e isso era algo que Libby não poderia suportar. Ela respeitava a decisão dos pais e compreendia a necessidade de tal deliberação, mas não era como se ela apoiasse aquilo. Libby nunca fora do tipo que mantinha um relacionamento nem mesmo por mera aparência, mas quem era ela para contestar? –Pode ter certeza que essa não vai ser a última decisão que eles tomarão por você. – Disse calmamente, sabendo que a indignação do irmão era apenas passageira, até ele entender e aprender a fazer a situação favorecer seu lado. – Você irá sobreviver a isso. – Libby tirou das mãos do irmão o cigarro e antes de levá-lo a boca, levantou-o como se brindasse em homenagem a ele e só então deu uma longa tragada, soltando a fumaça vagarosamente. A vontade de Libby era perguntar se ele achava que aquilo aconteceria com ela em breve também, mas resolveu que não queria saber a resposta. Porque ela já sabia qual era.
Mulciber riu baixo da resposta imediata da irmã, tragando seu cigarro mais uma vez e expelindo a fumaça alguns segundos depois, enquanto seu rosto assumia uma expressão distante e pensativa. Bateu o polegar no filtro do cigarro para se livrar das cinzas que acumulavam enquanto ouvia tudo que Libby tinha a dizer a respeito do assunto, parecendo digerir e ponderar cada palavra cuidadosamente. Sabia que ela tinha razão, aquele era simplesmente o tipo de coisa que podiam esperar dos pais e um dos padrões que provavelmente repetiriam com seus filhos caso os tivessem, não havia realmente nenhuma grande surpresa ali e portanto não havia razões para encarar a notícia daquela forma - não realmente. E ao mesmo tempo sabia que a irmã não estava tão indiferente àquela história toda quanto parecia querer demonstrar, sabia que estaria se perguntando em que merda aquilo tudo ia dar e se o mesmo aconteceria à ela, podia dizer isso apenas pelo jeito em que não mantinha o foco em seu olhar e outros pequenos detalhes em seus trejeitos que acreditava que ninguém mais seria capaz de notar além dele, nem mesmo seus pais. - Nós vamos. - Consertou, olhando pra baixo na direção dela, tentando encontrar o seu olhar. Se ele ia se casar era bom que ela fosse se preparando para uma perspectiva parecida. Seria difícil, mas era uma questão de tempo até que aprendesse a lidar com aquilo a seu modo, era o tipo de coisa da qual o rapaz sempre se gabou, afinal de contas: moldar as situações de acordo com seus interesses. - Só espero que pelo menos tenham escolhido bem. - Comentou como se referisse a uma mercadoria ou algo do gênero com um quê de humor em sua voz. - Odiaria fazer a desfeita de ter que ‘trocar’ o presente. - Acrescentou, estendendo a mão para a irmã e tomando o cigarro dela entre os dedos mais uma vez antes de levá-lo aos lábios numa tragada mais longa que a anterior, mantendo a boca fechada enquanto respirava fundo e sentia o ar passar pela garganta e preencher-lhe os pulmões lentamente.

Desde que as novas normas foram estabelecidas o sono de Mulciber voltou a ficar irregular. Não que sua insonia o tivesse abandonado completamente antes, mas agora parecia ter voltado de vez e com força total não havendo uma noite em que não passasse em claro nos últimos dias. E nas atuais circunstâncias era ainda pior, já que não se arriscava a dar seus habituais passeios noturnos agora que as atenções estavam redobradas, então era obrigado a passar suas noites insones preso ao dormitório e se seu humor não estava particularmente bom há alguns dias, agora estava muito pior.
Desde então era sempre o primeiro a deixar o dormitório, não porque acordava cedo mas porque simplesmente não dormia. Exceto naquela manhã em particular, quando se levantou e notou que já não era o único acordado quando viu uma das camas dos colegas vazia e a pessoa a quem ela pertencia no Salão Comunal, alguns minutos depois que trocou de roupa e deixou o quarto.
- Avery. - Cumprimentou, com um aceno de cabeça. O conceito de amizade sempre foi algo relativo e não muito bem definido na visão de Mulciber, mas se pudesse considerar qualquer um dos seus colegas um amigo esse alguém provavelmente seria Avery. Acreditava que o rapaz botaria seus interesses na frente de qualquer coisa e qualquer um assim como ele mesmo o faria, mas o fato dele pensar como Mulciber acerca da maioria dos assuntos fazia dele um aliado valioso e uma das poucas pessoas com quem ainda perdia tempo conversando. - Você vai pra primeira aula? - Perguntou, casualmente, puxando um maço de cigarros do bolso as vestes e separando um pra si antes de jogar o pacote com só um cigarro restante na direção de Avery.
Mulciber não pretendia ir, matar a primeira aula do dia era quase uma tradição e sabia que caso fosse pego pelos aurores a toa pelos corredores sempre podia usar a desculpa de ter um tempo vago - eles não conheciam seus horários, de qualquer maneira. Além disso havia questões mais imediatas nas quais queria pensar a fundo que com certeza não envolviam a revolta dos duendes ou qualquer outra matéria inútil que Binns resolvesse dar naquela manhã.
- Eu tenho conhecimento disso. - Respondeu, soltando um suspiro de frustração, levando uma das mãos aos cabelos e jogando-os para o lado de forma nervosa, mantendo um semblante irritadiço. - Como monitora eu estou sempre no radar. - Falou de forma óbvia, deixando que sua voz transparecesse toda a raiva que sentia naquele momento. Era revoltante que pudesse ser prejudicada por erros de outros, além de já ter seus próprios planos para quando a escola terminasse, quem quisesse morrer na guerra que se protinficasse a isso, não era o seu plano. Soltou uma risada debochada ao ouvir a frase de Mulciber, se ele que era defensor do purismo não queria acabar na horrível prisão, tampouco ela que só pensava em estar longe quando a guerra eclodisse. Medo alguns diriam, mas para Emma era sobrevivência, ainda mais por uma guerra que não era sua. - Por favor, Dylan, eu sou muito bonita para acabar em Azkaban.- Replicou em tom mais descontraído, mas sabia que toda a situação era séria, até demais. Sobre a parte de entregar alguém, Emma já não tinha tanta certeza, se estivesse em perigo não hesitaria em jogar alguém embaixo do Expresso Hogwarts para livrar o seu da reta, mas guardou consigo essa informação, afinal Dylan era uma pessoa digna para ter-se ao seu lado. - Qual seria então a saida? Por que pedir gentilmente para darem uma maneirada não surtirá efeito algum. -Questionou, fazendo um gesto impaciente com as mãos, não estava nos seus planos também ter algum embate com os colegas de casa, era sempre drama demais, coisas que poderia passar sem. Continuar fora do radar, como sempre fizera. - Mas talvez possamos dificultar um pouco as coisas. - Pensou alto e então fitou o menino a sua frente de forma intensa, fez um sutil gesto com a sobrancelha como se questionasse a opinião dele sobre o assunto, apesar de não ter ainda proposto nada, queria saber se podia conter com ele.
- Mais uma coisa em que nós dois concordamos. - Assentiu quanto ao fato de Emma ser “bonita demais para acabar em Azkaban”, com um pequeno sorriso malicioso no canto dos lábios. Não pôde deixar passar a chance de fazer o comentário galanteador mesmo que fosse fora de hora e contexto, era mais forte do que Mulciber. - Se tiver alguma sugestão coerente, sou todo ouvidos. - Encorajou, se inclinando um pouco para frente na direção da garota. Ele não tinha nenhuma ideia em mente, ainda, mas sabia que como tudo, aquilo era uma mera questão de tempo. E sabia também que alguém teria que tomar a frente de um “controle de danos”, já que muitos de seus colegas pareciam não se preocupar com as consequências de seus atos - Mulciber era simplesmente calculista demais para deixar passar detalhes sem pensar nas consequências e embora não acreditasse muito no potencial dos aurores que estavam em Hogwarts ainda achava leviano demais subestimá-los, afinal, incompetentes ou não eles tinham pelo menos um mínimo de treinamento, e ainda estavam por lá o que era alarmante, especialmente porque chegou a acreditar nas primeiras semanas que eles não iriam se demorar na escola - e talvez não tivessem mesmo se demorado, caso não tivesse se alastrado uma onda de torturas enquanto os aurores ainda estavam por lá. Como poderiam ser tão descuidados? Bufou a esse pensamento e passou uma das mãos pelo rosto, parando os dedos nos cantos dos olhos e apertando-os levemente. - Eu sugiro um controle de danos. Tirá-los da nossa cola, despistá-los se for necessário. - É claro que teriam que pensar em algum plano realmente elaborado e aquela era apenas a ponta do iceberg, mas com sorte, teriam tempo o suficiente pra isso. - E quanto a nossos colegas descuidados...- Continuou e agora havia desdém em sua voz enquanto seu olhar parecia perdido para além de Emma embora continuasse a fitá-la. - Pode ser que eu tenha uma sugestão também. - Decidiu por fim, o foco voltando aos seus olhos, agora enxergando plenamente a garota a sua frente. E abaixou o tom de voz consideravelmente conforme começou a dividir com ela o que tinha em mente até então.